Vereadores defendem ideia de mutirão na zona rural
Recuperação da trafegabilidade de estradas é apontada como prioridade
PUBLICADO EM 09/09/2026 - 11:13

Câmara Municipal de Pelotas

Redação: Imprensa Câmara

Foto: Arquivo 

Data: 09/09/2026



Entre outros assuntos, como patrolamento de vias urbanas, medidas de proteção climática e administração e gestão, a falta de trafegabilidade de estradas rurais foi abordada com destaque por vereadores na sessão plenária desta quarta-feira (9). A ideia do Legislativo é que a Prefeitura determine a realização de mutirões na colônia, com apoio de caçambas e maquinário de secretarias que contam com esses equipamentos na frota, para suprir a deficiência da Secretaria de Desenvolvimento Rural.


O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, vereador Éder Blank, afirmou que, no contexto precário da zona rural, há distritos esquecidos, mesmo com a vinda de máquinas para Pelotas. O parlamentar salientou que apenas patrolar não é suficiente. “É preciso colocar material e não há caçambas para transportá-lo. O 7º distrito, Quilombo, tem locais sem acesso e o serviço da patrola fica perdido com a primeira chuva se não contar com material – e temos de qualidade - para preenchimento e reforço de trechos.” O 4º distrito, Triunfo, está sem ônibus há semanas, inclusive para acesso à escola. Professores, servidores e merendeiras estão sem transporte. “É o distrito que mais contribui com a Prefeitura, com seus frigoríficos, metalúrgica, posto de combustível, culturas de fumo e soja, leitarias. No entanto, as máquinas não chegam lá, não existe apoio. A zona rural está abandonada e é de lá que sai a comida para a mesa da cidade. Por isso, pedimos mutirões para recuperação.”


O secretário da Mesa Diretora da Câmara, vereador Paulo Coitinho, reforçou o apelo de Éder Blank, para que a Prefeitura se mobilize em mutirão de recuperação das estradas rurais. “A colônia pede pouco, apenas infraestrutura básica, e tanto ajuda a cidade, com abastecimento de suas produções. São mais de 1.200 quilômetros de estradas rurais que precisam de manutenção. O entendimento entre secretarias, como de Serviços Urbanos e Obras, que contam com caçambas e máquinas, poderia reverter a situação, restabelecendo a trafegabilidade das estradas, para acesso a locais hoje isolados por falta de ônibus.” O parlamentar lembrou que vereadores apresentam muitos pedidos de providências ao Executivo, que deveria ser mais sensível aos apelos, para auxiliar melhor a população.


A manifestação do vereador Daniel Fonseca não ficou distante dos pronunciamentos sobre as estradas da colônia. O parlamentar referiu-se à manutenção de vias urbanas não pavimentadas. “Há ruas que não recebem patrolamento há mais de um ano. Há poucos dias, em determinado local, onde estava sendo prestado o serviço de nivelamento do leito, moradores das imediações pediram ao patroleiro que passasse a máquina numa travessa. A resposta foi negativa. Ele estava orientado a trabalhar apenas no trajeto do transporte coletivo, o caminho do ônibus.” Daniel Fonseca também criticou a limpeza de valetas não concluída, informando que o serviço é feito pela metade. “Na Virgílio Costa, nem as tampas dos bueiros foram recolocadas. No Distrito Industrial, faltam lâmpadas da iluminação pública. São arrecadados cerca de R$ 4 milhões da taxa e não há lâmpada para trocar. O povo pagador é negligenciado. A Rodrigues Alves, na Gotuzzo, atingida pelo vendaval, há dois meses, ainda está às escuras.” O vereador comentou que moradores do Passo do Salso estão dispostos a protestar, em mobilização ordeira, na frente da Prefeitura, quanto à falta de serviços públicos de infraestrutura.


O vereador Antônio Peixoto falou sobre a demora para adoção de medidas de proteção climática, salientando o quanto o Estado é burocrático. “Acaba de ser lançado edital para o dique do Laranjal. A enchente foi em 2024. A medida deveria ter sido emergencial. Esse é o Plano Rio Grande, com as obras previstas. O dique, depois de iniciada a construção, ainda levará 15 meses para ficar pronto. O que estamos fazendo para acelerar esses processos?” O parlamentar citou exemplo da Europa, onde zonas prioritárias definidas possuem sistema automático de autorização para medidas de proteção, sem ter de percorrer várias instâncias de governo, sem burocracia. Peixoto ainda informou que estão abertas, agora, as inscrições para cursos de qualificação, pelo Sistema S, também relacionados a oportunidades para as pessoas atingidas pelas enchentes de 2024. “O programa deveria ter se iniciado há dois anos.”


O vereador Rafael Amaral registrou que a data de 9 de setembro é consagrada ao Dia do Administrador, profissão que considera como responsável pelo desenvolvimento ordenado. “Uma gestão qualificada, com profissional formado, preparado, técnico, responde pelo planejamento estratégico.” O parlamentar lembrou que, há alguns anos, em Pelotas, gestor do Pronto Socorro, desqualificado e despreparado para a função, cometera distorções que acabaram culminando com sua prisão, via atuação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara. “É exemplo que dá conta de pessoas que não conhecem a administração e acabam fazendo o que querem.” Rafael Amaral afirmou que Pelotas cresceu sem planejamento. Houve construções de condomínios sem acesso a serviços básicos de saúde, educação e transporte aos milhares de moradores. Há vias que se formam sem saneamento. “Planejamento estratégico precisa de tempo e a cidade paga pela má administração de muitos anos. O Dia do Administrador deve servir para reflexão da importância do profissional capacitado, qualificado, com conhecimento, técnica e capacidade de dialogar, ouvir.”



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