Câmara Municipal de Pelotas
Redação: Imprensa Câmara
Foto: Fernanda Tarnac
Data: 20/08/2026
As consequências dos grandes volumes de chuva dos últimos dias foram assunto dominante nos debates da sessão plenária desta quinta-feira (20), no Legislativo, presidida por Michel Promove e secretariada por Arthur Halal. A maioria dos vereadores que se manifestaram convergiu quanto à tese que a cidade não está preparada para enfrentar a instabilidade intensa.
O vereador Cauê Fuhro Souto foi o primeiro a ocupar a tribuna e criticou o prefeito por ter declarado, em emissora de rádio, que “após a chuva, saímos mais fortes”. O parlamentar afirmou que o Executivo já estava avisado sobre o clima. Reuniões técnicas, a partir da enchente de 2024, culminaram com relatos advertindo sobre a necessidade de preparar a cidade. “Nada, absolutamente nada, foi feito. As demandas da população vêm de toda a parte. Muitos atingidos ainda não receberam nem lonas, quanto mais telhas, que o Legislativo colaborou com R$ 500 mil, em economias do duodécimo, para aquisição.” Segundo Cauê Fuhro Souto, a situação atinge tanto a cidade como a colônia. Relatou expectativas dos pelotenses quanto a prioridades de serviços essenciais.
O vereador César Brisolara, sobre os transtornos provocados pelos temporais e chuvas dos últimos dias, informou que a Farroupilha está enchendo, assim como Passo do Salso, Governaço, Vila Nova, Vila dos Tocos e outras localidades da cidade. “A população está precisando ser socorrida. Muitos não receberam lonas e telhas. Que sejam tomadas, pelo menos, medidas paliativas.” Argumentou que a Defesa Civil deve se manter receptiva, atendendo ou retornando o contato com as pessoas, e que isso não está acontecendo. Outro assunto abordado pelo parlamentar foi referente à operação do Ministério Público envolvendo vereadores. Salientou que o pedido para seu afastamento da presidência da Comissão e Constituição e Justiça, sob argumento que seria um dos parlamentares investigados pelo MP, tem base unicamente política, com motivação no período eleitoral.
Fernanda Miranda referiu-se sobre a notícia que estudantes perderão, parcialmente, o direito ao pagamento da tarifa do transporte coletivo com desconto. A medida seria aplicada pela Prati – Consórcio do Transporte Coletivo de Pelotas – quando os ônibus forem utilizados fora do período regular de aulas. Se o deslocamento for em horário diferente do escolar, a tarifa paga será integral. “Isso causa impacto na vida dos estudantes. Queremos uma resposta.” Quanto ao mau tempo, a vereadora solicita à Prefeitura a suspensão temporária das aulas da rede, como medida adotada pelo Município para todas as escolas, e não apenas em algumas unidades, a critério das diretorias, como vem se verificando.
O vereador Marcos Ferreira manifestou preocupação quanto à imagem do Legislativo, “desgastada perante a sociedade”. Sugeriu à presidência da Casa que promovesse reunião com todos os parlamentares para avaliação do momento e “repactuar em nome da instituição. Representamos milhares de pessoas e parte de um poder constituído que precisa ser respeitado como um todo”. Observou que as falas de cada vereador repercutem de forma muito individual. Sobre a tarifa estudantil de ônibus, lembrou que o projeto foi aprovado por unanimidade na Câmara e que o Executivo deve enviar ao Legislativo nova proposta para alteração da lei.
O presidente Michel Promove esclareceu que sua conduta como titular da Mesa Diretora é de abertura de espaço a todos os vereadores que querem se manifestar. “Vou seguir essa linha coerente, imparcial e democrática, além de garantir o funcionamento da Casa e fazer economia.”
O vereador Marcelo Bagé lembrou que o atual governo assumiu há quase 19 meses, anunciando que a zeladoria seria prioridade. “As pessoas estão sofrendo, pedindo socorro. Nada foi feito”. Salientou que a Câmara é ambiente de debates políticos, de discussão sobre os problemas da cidade. “No Parlamento, deve haver respeito, mas a firmeza na fala é necessária.” Sobre o pedido de afastamento de vereadores de cargos, disse que é “oportunismo” e que não há processo contra ninguém. A ação é apenas de investigação.
Rafael Amaral disse que técnicos alertam que o quadro de chuvas tende a se prolongar até janeiro e atribuiu alagamentos em diversos pontos a construções irregulares. “O momento é de calamidade. Estamos no quarto decreto de emergência do ano”, afirmou, advertindo que a situação não deve ser usada em campanha política, para favorecer candidatos.